segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Metáfora

Toda lembrança
é como um boneco de areia
que desmorona toda vez que é tocado.

Um passageiro, desmontado
entre vestígios de incerteza
diante do que só pode se dizer
quando já está reconhecido.

(O que só se pode dizer
quando já está dito.)

A carta é um recalque
do que não foi falado,
e o poema
é uma carta que não foi escrita.

Somos metáfora:
restos ao vento
reunidos
no fluxo do tempo.

sábado, 26 de outubro de 2013

Sistema

A cronométrica
Enquadradou
O mundo
Diante da sua fluidez.

Apologética do mundo cercado
Enquadrou
A liberdade
Como pecado.

E somos nós
Perdidos no tempo
Medido
Por um homem só,

Que disse
Que o tempo
Dividido
Era um nó:

Encontramos
O elo
Sentido
Espalhado como pó.

E presos
Como animais
Ressentidos

Nos mantemos
Prendidos

Na magnitude
De uma ordem


Só.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Brasil - 1 (Quadrilha)

João que tomou uma facada de Teresa, que tomou tiro de Raimundo, que foi prometido por Maria, que deve da cocaína pra Joaquim que engravidou Lili que não fez nada pra ninguém.
Crime passional, bala perdida, ciúmes, dívida, pensão e passividade. Lili casou com o Delegado Pinto Fernandes, que prendeu todo mundo.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Dessemantizado

A digripenderância do vilipelutizado ardrizente opleso dibreto
Dinigrene as dilepância relumbente dispeenzo
Direto crase às dimêmncia talagela

Pimba!

Dingravabusca

Tagarela.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Epistêmico

Memória que arrefece estes sentidos
Elucidando com os signos enquanto a
Natureza inteira é questionada e afirmada
Três vezes cortada pelo tempo.
Atemporal nas luzes vivas do conceito,
Luzes soltas nas cores da representação.
Ilusão, verdade e aparência
Depois, antes...
Agora.
Da atividade da mente as coisas são formuladas,
E criadas, vivem no pensamento.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Madrugada

A doença, a sobriedade e a loucura
Andam de braços dados
Desesperadas
Gritando
“Vida, me tira daqui!”

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

A transparência e o obstáculo

O corpo que escarra os restos das carnes mortais
Que procura na terra enlamaçada o alimento que lhe atrai,
O corpo da fera roçando na fêmea até arder
Que bufa raiva em salivas vertiginais

Se esconde, por cortinas humanizadas
Em uma terra de madeira envernizada.
Esconde a fera sua baba encarniçada
Com o seu veludo enfeitado, manifestação oculta do real.

E este bicho...virou aparência!
Cavou buracos para esconder
Os seus restos fecais.

Construiu barracas, para dormir babando
No engano do escuro.
E como é mais bonito no escuro!

Comprou janelas
E vidraças
Espelhos que suspendem para o céu
Sua raiz enraizante.

Escolhe as suas cores
E aparece fenomenal.

Um fantasma moldando o corpo
Em um bacanal
De panos coloridos recortados

E a fala
Atravessa a metamorfose
Do dentro para fora,
Acumulando a poeira da cortina

A sujeira do véu que vela
O animal,
Agora o selo marginal

Fincado às margens que lhe proíbem de se ver,
Dizendo tudo o que diz
Não tendo nada pra dizer.