Parte para mais um dia. Acorda. trabalha. almoça. trabalha. toma banho. janta. dorme.
Parte para mais um dia. Acorda. trabalha. almoça. trabalha. toma banho. janta. dorme.
Parte para mais um dia. Acorda. trabalha. almoça. trabalha. toma banho. janta. dorme.
Parte para mais um dia. Acorda. trabalha. almoça. trabalha. toma banho. janta. dorme.
Parte para mais um dia. Acorda. trabalha. almoça. trabalha. toma banho. janta. dorme.
Parte para mais um dia. Acorda. trabalha. almoça. trabalha. toma banho. janta. dorme.
Parte para mais um dia. Acorda. trabalha. almoça. trabalha. toma banho. janta. dorme.
Parte para mais um dia. Acorda. trabalha. almoça. trabalha. toma banho. janta. dorme.
Parte para mais um dia. Acorda. trabalha. almoça. trabalha. toma banho. janta. dorme.
Parte para mais um dia. Acorda. trabalha. almoça. trabalha. toma banho. janta. dorme.
Parte para mais um dia. Acorda. trabalha. almoça. trabalha. toma banho. janta. dorme.
Parte para mais um dia. Acorda. trabalha. almoça. trabalha. toma banho. janta. dorme.
Parte para mais um dia. Acorda. trabalha. almoça. trabalha. toma banho. janta. dorme.
Parte para mais um dia. Acorda. trabalha. almoça. trabalha. toma banho. janta. dorme.
Um dia resolveu passear. Tomou banho. Colocou uma roupa nova. Perfume. Veste a máscara, e sai pela porta, deixando sua existência esperando em casa.
sábado, 12 de julho de 2008
sexta-feira, 20 de junho de 2008
3ª pessoa do sempre singular
Quem diria! Eu, logo eu, que pensava sempre em você! Um bosque lindo de águas limpas, dias claros de ventos calmos, um gostoso cheiro de te pincelar entre a primeira e a segunda pessoa no singular. Mas ao imaginar eu e tu, era tudo tão plural.
Mas quem diria! Que um dia alguém pudesse se somar, e na realidade um terceiro eu me transformar. Eu que não sou você, Eu que não sou mais Eu, era Você e um outro Eu, e quem pude me tornar?
Ele... cada vez mais singular.
Mas quem diria! Que um dia alguém pudesse se somar, e na realidade um terceiro eu me transformar. Eu que não sou você, Eu que não sou mais Eu, era Você e um outro Eu, e quem pude me tornar?
Ele... cada vez mais singular.
sábado, 14 de junho de 2008
Uma pequena estrela
Carlos queria ser famoso. Queria ser reconhecido não sabe pelo que. Queria a idolatria da televisão, das fotos,dos outdoors, queria ser o desejo adolescente, a inveja maldizente dos velhos rabugentos que reclamam da vulgaridade do tempo em que já estão mortos. Carlos fazia de tudo pra virar notícia. Ser famoso, conhecido. Mas nem sabe pelo que. Carlos mostrava a bunda, dizia palavrões em ocasiões inusitadas, fazia protestos, era simpático, revoltado, um forçado.
Passou na rua imaginando como seria sua entrevista em um programa de culinária. Todas as coisas que diria, o que ele comia, o que fazia, quem ele pegava. Atravessando a rua seu sonho se realiza.
No outro dia, numa capa de Jornal:
"Homem é atropelado por caminhão de lixo ao atravessar a Rua Das Oliveiras
Carlos Peixoto Andrade foi atropelado na noite de ontem pelo caminhão de lixo em um trecho mal iluminado da Rua das Oliveiras. Carlos bateu forte a cabeça e quebrou as duas pernas. Foi vivo para o hospital mas não resistiu(...)"
Passou na rua imaginando como seria sua entrevista em um programa de culinária. Todas as coisas que diria, o que ele comia, o que fazia, quem ele pegava. Atravessando a rua seu sonho se realiza.
No outro dia, numa capa de Jornal:
"Homem é atropelado por caminhão de lixo ao atravessar a Rua Das Oliveiras
Carlos Peixoto Andrade foi atropelado na noite de ontem pelo caminhão de lixo em um trecho mal iluminado da Rua das Oliveiras. Carlos bateu forte a cabeça e quebrou as duas pernas. Foi vivo para o hospital mas não resistiu(...)"
confissões - 1
Não sei bem quando as coisas começam nem quando elas terminam
por vezes se arrastam de maneira tão ridícula que parecem nada
por outras se descobre no tempo: atrás é onde ficaram
Algumas sensações marcantes sem explicações
Desatados e desconexos todos os trechos
Lendo o tempo da vida, interpretando a morte.
A violência pode ser tão passiva
e agredir sem perceber
Mas quando se percebe, dói
e se já foi embora e não tem volta
...dói.
Ficar se enganando, não ficar arrependido
por ter sido uma mentira de revolta
é mentir mais uma vez
Andar pra trás é tão difícil que quando vem a onda do destino
com toda a força a empurrar
o mais fácil parece lutar com a correnteza
e se afogar
As coisas submergem, se perdem, se desconectam
E eu afundo na definitiva lamúria
de que sou o que sou
e estou onde estou
por vezes se arrastam de maneira tão ridícula que parecem nada
por outras se descobre no tempo: atrás é onde ficaram
Algumas sensações marcantes sem explicações
Desatados e desconexos todos os trechos
Lendo o tempo da vida, interpretando a morte.
A violência pode ser tão passiva
e agredir sem perceber
Mas quando se percebe, dói
e se já foi embora e não tem volta
...dói.
Ficar se enganando, não ficar arrependido
por ter sido uma mentira de revolta
é mentir mais uma vez
Andar pra trás é tão difícil que quando vem a onda do destino
com toda a força a empurrar
o mais fácil parece lutar com a correnteza
e se afogar
As coisas submergem, se perdem, se desconectam
E eu afundo na definitiva lamúria
de que sou o que sou
e estou onde estou
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Um sonho triste
Beijando um poste na beira do mar
na esquina entre poços de lama
correndo luzes dos carros, a vastidão que engana
alguns solitários e amantes tortuantes
Em tosses malditas de vozes a par
Em pares de tudo: Dois!
A pares da toda que eu pensava
sentia o cheiro e a boca mordia
pelos meus braços ela me invadia
E os meus olhos em seu rosto deitavam
Olhando em volta não havia mais nada
nem luz, nem carro, nem poste
era minha mentira que me enganava
eu mesmo cúmplice da própria mente desvairada
Eu sou assim
como um sonho triste
que vive pouco pra poder se lamentar
na esquina entre poços de lama
correndo luzes dos carros, a vastidão que engana
alguns solitários e amantes tortuantes
Em tosses malditas de vozes a par
Em pares de tudo: Dois!
A pares da toda que eu pensava
sentia o cheiro e a boca mordia
pelos meus braços ela me invadia
E os meus olhos em seu rosto deitavam
Olhando em volta não havia mais nada
nem luz, nem carro, nem poste
era minha mentira que me enganava
eu mesmo cúmplice da própria mente desvairada
Eu sou assim
como um sonho triste
que vive pouco pra poder se lamentar
domingo, 1 de junho de 2008
Como em um filme brasileiro
Como em um filme brasileiro
Apenas uma luz laranja no fim do corredor
O sofá luxuoso e a seda do seu vestido
Apareciam como uma sombra
Enquanto o bico dos seus seios se erguem em direção ao espelho do teto
Deitada como numa nuvem, perdida entre a própria sedução
e um vento livre de perdão
Que se dirige à ela como um leão à uma loba
E escurraça a sensualidade com maldito tesão
A cueca já estava perdida pela casa
Atirada pelo chão
Era apenas um princípe do mato
e aquele seu roupão...
Ao que toca a campainha...
Chega o entregador
A pizza em cima da mesa, e quando ele se volta, a porta ainda está aberta...
Alguém entra, um barulho, um grito!
Sai correndo aquele estranho
Levando o dinheiro da pizza e da entrega
Sangue naquele ilustre corredor
que há pouco era todo resplendor...
Agora ele tinha uma pizza e um corpo frio
Mas não precisava mais pagar a puta
Apenas uma luz laranja no fim do corredor
O sofá luxuoso e a seda do seu vestido
Apareciam como uma sombra
Enquanto o bico dos seus seios se erguem em direção ao espelho do teto
Deitada como numa nuvem, perdida entre a própria sedução
e um vento livre de perdão
Que se dirige à ela como um leão à uma loba
E escurraça a sensualidade com maldito tesão
A cueca já estava perdida pela casa
Atirada pelo chão
Era apenas um princípe do mato
e aquele seu roupão...
Ao que toca a campainha...
Chega o entregador
A pizza em cima da mesa, e quando ele se volta, a porta ainda está aberta...
Alguém entra, um barulho, um grito!
Sai correndo aquele estranho
Levando o dinheiro da pizza e da entrega
Sangue naquele ilustre corredor
que há pouco era todo resplendor...
Agora ele tinha uma pizza e um corpo frio
Mas não precisava mais pagar a puta
domingo, 11 de maio de 2008
Eu não...
Tomados pela alegria
pelo fervor da variedade
todas as cores são visadas
como simbolizando a simpatia
Mas eu não!
eu fico no escuro
tremendo de frio...
enquanto os outros adoçam o paladar
com um amarelo chocolate a sujar
a boca, os dentes
enchendo um estômago vazio
Mas eu fico cheio de baratas
que me alimentam a cada dia
sem nenhum glamour ou rouxeza
o azul não me toca e o vermelho me assusta
reduzo o gosto às minhas cinzas
Cinza não verde, no máximo marrom!
da cor do barro que me agarro
e esfrego em todo corpo.
Porque ao contrário dos sorrisos faceiros
dos laranjas caranguejeiros
que se abraçam e se amassam
Eu fujo! e me toco num rio
tão sujo que entro pelado
e saio vestido
de tão poluído meu corpo
se esconde em qualquer resto do podre
Se as borboletas são avistadas
e olha para lá, uma criança
maravilhada!
Maravilhoso para mim é enxergar
as moscas buscando o meu nariz
E os ratos comendo os restos
que eu ainda não comi
brigo com eles por comida
e penso ainda que meu inimigo
pode ser um alimento sadio
Saia para rua, pule
Alegria! alegria!
Mas eu não...
Porque eu sou podre
eu sou sujo, eu sou imoral
pior que qualquer animal
pensar e não agir
é melhor que fazer o mal...mal?...mal!
mal sabes que enquanto teu sabonete
te perfurma
e a tua maquiagem
te embeleza
teus exercícios, caminhadas, academia
te saúda e te define
Que teu prato de comida
de porcelana
e a comida bem cozida
te alimenta e te apraz
com o prazer que nem sabes mais
aonde mais te satisfaz
Enquanto isso...
Eu não!
Pois quando assas o teu peixe
eu cato insetos na lagoa
quando caminhas para malhar
eu ando apenas pra suar
e todo o teu cheiro de sabonete
eu retribuo...
Enquanto tu tomas banho
eu me atiro numa sanga!
pelo fervor da variedade
todas as cores são visadas
como simbolizando a simpatia
Mas eu não!
eu fico no escuro
tremendo de frio...
enquanto os outros adoçam o paladar
com um amarelo chocolate a sujar
a boca, os dentes
enchendo um estômago vazio
Mas eu fico cheio de baratas
que me alimentam a cada dia
sem nenhum glamour ou rouxeza
o azul não me toca e o vermelho me assusta
reduzo o gosto às minhas cinzas
Cinza não verde, no máximo marrom!
da cor do barro que me agarro
e esfrego em todo corpo.
Porque ao contrário dos sorrisos faceiros
dos laranjas caranguejeiros
que se abraçam e se amassam
Eu fujo! e me toco num rio
tão sujo que entro pelado
e saio vestido
de tão poluído meu corpo
se esconde em qualquer resto do podre
Se as borboletas são avistadas
e olha para lá, uma criança
maravilhada!
Maravilhoso para mim é enxergar
as moscas buscando o meu nariz
E os ratos comendo os restos
que eu ainda não comi
brigo com eles por comida
e penso ainda que meu inimigo
pode ser um alimento sadio
Saia para rua, pule
Alegria! alegria!
Mas eu não...
Porque eu sou podre
eu sou sujo, eu sou imoral
pior que qualquer animal
pensar e não agir
é melhor que fazer o mal...mal?...mal!
mal sabes que enquanto teu sabonete
te perfurma
e a tua maquiagem
te embeleza
teus exercícios, caminhadas, academia
te saúda e te define
Que teu prato de comida
de porcelana
e a comida bem cozida
te alimenta e te apraz
com o prazer que nem sabes mais
aonde mais te satisfaz
Enquanto isso...
Eu não!
Pois quando assas o teu peixe
eu cato insetos na lagoa
quando caminhas para malhar
eu ando apenas pra suar
e todo o teu cheiro de sabonete
eu retribuo...
Enquanto tu tomas banho
eu me atiro numa sanga!
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