sábado, 1 de janeiro de 2011
Epistêmico
Elucidando com os signos enquanto a
Natureza inteira é questionada e afirmada
Três vezes cortada pelo tempo.
Atemporal nas luzes vivas do conceito,
Luzes soltas nas cores da representação.
Ilusão, verdade e aparência
Depois, antes...
Agora.
Da atividade da mente as coisas são formuladas,
E criadas, vivem no pensamento.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Madrugada
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
A transparência e o obstáculo
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Os habitantes do abismo
Segui adiante, caminhando por aquele lugar. quanto mais eu caminhava, mais arenoso o solo. O vento, porém, era leve, e nada era muito calor: a temperatura era como as cores, quase-cinza. Primeiro encontro um cachorro, o que me deixa um pouco nervoso, com medo. Olho para ele, que é completamente indiferente a mim. Ele segue e encontra outro cachorro: o primeiro encontro que presencio no mundo que acaba de me parir. Um cachorro encontra o outro, e em plena comunicação segue correndo, se jogando pela areia, brincando de se morder, um puxando o rabo do outro, correndo e voltando.
Eis que surge a figura enigmática, que marca o segundo encontro, onde pela primeira vez me entendo como parte daquele mundo: fui percebido por alguém. A presença dos cachorros revelava algo mais: ali havia alguém encarregado de cuidar do lugar, de cuidar dos cachorros, e os cachorros estavam ali como parte do "cuidamento" do lugar. O homem me olha de cima do barranco. Entendo que ele está ali por ordem de alguém, que deveria ser dono do lugar, e deixa-o ali, cuidando. Mas não havia dono no lugar: aquela figura era o cuidador do lugar que não era dele, nem de ninguém, e ainda assim ele mantinha-se marcado pela função de cuidar o lugar para alguém - alguém indeterminado, um inexistente, um vazio: uma figura que só existe pela relação que tem com o cuidador do lugar - sem alguém que representasse o dono, não haveria o empregado cuidador, e sem o cuidador, não haveriam os cachorros, e sem os cachorros, não haveria o banco de areia. Sigo adiante, estranhando, subo para o outro lado do barranco para fugir dos cachorros, e fico pensando em qual rua eu deveria entrar para sair na 7 de setembro...
terça-feira, 27 de abril de 2010
Findos tempos de liberdade
Tu, liberdade, és adolescente
Inflama a alma como uma virgem descarnada
Excita e enaltece, nos procura e se evanesce
Tua busca desenfreada que nunca nos acalma
Enxugamos as lágrimas e bradamos em tua fala.
Mas nada agora te enobrece
A juventude que se buscava libertada
Morre cedo logo que o sonho padece.
De realidade a tua ideia é abandonada.
Somos todos prisioneiros do mesmo destino:
crescemos para ver, para ler no mundo,
Num lençol branco com o discurso encardido.
E o limpamos, mas não te encontramos.
Liberdade, para qual nascemos, sonhamos e vivemos
Mas o que em ti não estava escrito
É que com o tempo nós crescemos
E isto significa te des-cobrir
Te afastar das cortinas idílicas
Para saber à carne crua
Que independente de como tu te desvincula
Somos crescidos dominados.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
A poesia do bêbado
o ar passa sem graça, a noite não jorra fumaça
os dias claros incomodam e a brisa fresca parece um bafo quente.
E tudo isso te leva a beber.
E vai indo-se embora tua armadura
tua alma despe-se com ternura
que beleza é ver o bêbado cantar
que beleza é ver o bêbado dançar!
A realidade crua aparece: não há tempo, não há forma, não há dever
o homem bêbado é natureza pura em se viver.
Somos animais, mas temos poesia
A poesia esta que é por vezes animalecer
Nos encontramos homens quando podemos beber!
Beber! Beber! A poesia de um homem magro é beber!
É na bebida que transparece à alma a mentira que a sobriedade constrói em nós.
O homem bêbado é o homem selvagem, sem nenhuma malandragem.
Beber sem esquecer.
Mas beber é evanescer: como a passagem do tempo, como os movimentos do espaço
como as coisas que vem e que vão, não se deixam parar agarrando pelo braço.
A embriaguez vem e vai aos poucos, e não adianta beber mais
Ela vai embora para o seu trono da paz.
Não bastaria beber. E me decepciono.
A embriaguez é a recompensa que não é entregue a qualquer um que bebe
e para manifestar a poesia do bêbado não basta beber.
Tem que viver.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
O seu sérgio - da bergamota
-Úte Sérgio, mé que temo?
-De sempre. E como vai tu e a Família Cardoso?
-Maravilha. Agora o que eu ando brabo é com essa política, todo mundo nos roubando Sérgio. As pessoa não sabe votá! Ninguém se manifesta, enquanto isso os político roba nosso dinheiro. To achando que a gente tá ficando pior que cachorro, temo virando animal!
Enquanto isto Seu Sérgio colhia uma bergamota em uma árvore do Parque. Descascou a bergamota enquanto o Sr Cardoso falava quase sem parar, exceto as pausas para escarro. Exalou o cheiro de bergamota pelo ar, Seu Sérgio comeu uns três gomos da fruta, e com a boca ainda suja, terminou o assunto:
-Mas que bom! virar animal? parece que estamos aonde deveríamos estar. O burro, o macaco, o cachorro, e a bergamoteira, todos eles não precisam de mais nada, já sabem tudo.
-Mas como assim tchê! Que pode saber um cachorro? - replica o Sr Cardoso.
-Respirar.
Dá a volta e segue caminhando com dona Matilde, enquanto esta olha para um pedaço qualquer do espaço, com olhar de quem já sabe tudo que precisa. Ela diz o que vai fazer de janta, enquanto Seu Sérgio pensa em comer e dormir.